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“A milícia está escravizando os comerciantes”, afirma Canella em ato ao lado de Douglas Ruas, presidente da Alerj, na Baixada Fluminense

Prefeito Márcio Canella anunciou medidas drásticas como resposta imediata para frear a escalada da violência no bairro Sargento Roncalli/Reprodução 

Caminhada política paralisa o Centro de Belford Roxo e propõe classificar grupos paramilitares como organizações terroristas

Uma expressiva caminhada política paralisou o Centro de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, neste sábado (30), mobilizando dezenas de apoiadores. O ato contou com a presença de importantes figuras públicas em evidência na política estadual, com destaque para o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), Douglas Ruas. Também participaram do evento o deputado estadual Doutor Deodalto (PL), candidato à reeleição, e Antonio Rueda (União Brasil), candidato a deputado federal, ambos buscando consolidar votos na região com o apoio de Canella.

Durante seu pronunciamento no palanque, Canella direcionou sua fala diretamente a Douglas Ruas para alertar sobre a gravidade da situação na Zona Oeste da capital. O candidato relatou impressões de uma agenda recente na localidade, destacando o cenário de opressão imposto por grupos paramilitares a moradores e comerciantes de bairros como Sepetiba e Santa Cruz.

O avanço da milícia e das facções criminosas no Estado do Rio

O cenário descrito no palanque reflete a complexa crise de segurança que atinge o Estado do Rio de Janeiro. Nas últimas décadas, as milícias expandiram significativamente seu controle territorial, deixando de atuar apenas na segurança clandestina para dominar mercados essenciais.

Monopólio de serviços: Comerciantes e moradores são obrigados a consumir produtos e serviços controlados exclusivamente por esses grupos, como gás de cozinha, água, internet e transporte alternativo, com ágios que chegam a 50%, 60% ou até 70% acima do valor de mercado.

Reflexo no consumidor: Esse custo operacional forçado é inevitavelmente repassado aos preços finais, penalizando diretamente o cidadão de bem.

Disputa territorial: Paralelamente, facções do narcotráfico e milícias travam disputas armadas constantes por territórios, resultando em episódios frequentes de violência que paralisam serviços públicos, escolas e o comércio em diferentes regiões do estado.

A classificação de facções como organizações terroristas

O debate sobre o endurecimento legal contra o crime organizado ganhou novos contornos com a menção à articulação internacional liderada pelo senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O objetivo da iniciativa foi propor que facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), sejam formalmente classificadas pelo governo americano como organizações terroristas estrangeiras.

Impacto prático: Caso essa designação seja consolidada, ela permite um bloqueio financeiro internacional mais severo, restrições de viagens globais para os integrantes e uma cooperação de inteligência muito mais robusta entre agências americanas (como o FBI e a DEA) e as autoridades brasileiras.

Com base nesse movimento internacional, Canella defendeu em seu discurso que o Brasil adote uma postura idêntica internamente em relação aos grupos paramilitares. O candidato afirmou que, caso seja eleito ao Senado Federal, trabalhará ativamente para criar mecanismos legais que classifiquem as milícias como grupos terroristas, argumentando que as táticas de coerção e a exploração impostas por essas organizações justificam tecnicamente o termo.

Prefeito anuncia mais uma ofensiva contra milicianos

O bairro Sargento Roncalli, em Belford Roxo, enfrenta uma forte onda de insegurança provocada pelo aumento expressivo de assaltos contra moradores e estabelecimentos comerciais. Relatos que chegaram à prefeitura apontam que as ações violentas são coordenadas por um grupo miliciano liderado por um criminoso de vulgo “Japonês”. Diante do cenário de tensão na Baixada Fluminense, as redes sociais foram utilizadas para anunciar medidas drásticas de combate à criminalidade local.

De acordo com o pronunciamento oficial, a onda de roubos na região é uma estratégia deliberada dos paramilitares para coagir a população e forçar o pagamento de taxas ilegais de segurança.

Parceria com o Estado e atuação do PROEIS

Como resposta imediata para frear a escalada da violência no Sargento Roncalli, foi oficializada a assinatura de um convênio junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. A medida viabilizará o reforço no policiamento local por meio do PROEIS (Programa Estadual de Integração na Segurança).

Contratação de policiais

O programa permite que policiais militares trabalhem em seus dias de folga, aumentando o efetivo nas ruas com custos cobertos pelo município.

Ações de Inteligência e Repressão: Além do reforço ostensivo, as polícias Civil e Militar já foram formalmente acionadas. O 39º BPM (Belford Roxo) e a 54ª DP intensificarão as operações integradas na região para desarticular a quadrilha do “Japonês”.

O modus operandi da exploração paramilitar

A crise no Sargento Roncalli evidencia uma prática comum das milícias que atuam no estado. Esses grupos exploram o medo coletivo por meio de ameaças e violência armada para estabelecer monopólios territoriais.

A tática de inflar os índices de criminalidade, como os assaltos recentes, serve como uma ferramenta de pressão psicológica para obrigar comerciantes e cidadãos a cederem à extorsão, aceitando o pagamento das chamadas “taxas de proteção”. A gestão municipal garantiu que providências jurídicas e operacionais já estão em curso e prometeu novas ações em breve para restabelecer a ordem pública.

 

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