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Delegacia de Homicídios da Baixada investiga substâncias tóxicas encontradas no corpo de menino morto em Meriti

Agentes da DHBF estiveram na casa da família de Arthur de Mello da Silva/Divulgação/Polícia Civil

O scanner usado pelos policiais da DHBF durante a perícia na casa do menino Arthur de Mello/Divulgação/Polícia Civil

Arthur ao chegar em casa no último dia 1º de junho/Reprodução

 

Agentes da DHBF buscam reconstruir os últimos dias de Arthur de Mello da Silva após laudo apontar agrotóxico e anestésicos. Suspeita é de envenenamento

Na última sexta-feira (19), policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) realizaram uma perícia técnica na casa da família de Arthur de Mello da Silva, de 11 anos, em São João de Meriti. O garoto faleceu no dia 11, após 11 dias de internação no Hospital Estadual Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu. O laudo da morte apontou broncopneumonia, mas exames toxicológicos revelaram a presença de lidocaína, midazolam e o agrotóxico terbufós-sulfóxido no organismo da vítima.

Agentes da especializada também cumpriram mandados de busca, apreendendo os telefones celulares da mãe, do pai, da madrasta e do padrasto do menor. Os aparelhos passarão por auditoria digital. Na residência investigada, a equipe policial utilizou tecnologia de scanner a laser para mapear o cenário em 3D e colheu amostras de DNA.

Últimas horas de vida

A meta da investigação é mapear a rotina final do garoto e entender a origem dos compostos químicos em seu corpo. Há suspeita de que a ingestão de uma fatia de bolo contaminada tenha causado a intoxicação.

Conforme as informações do defensor Luiz Almeida, que faz a representação jurídica do pai, Ademir Mello, o jovem residia com o pai e a madrasta desde março. Previamente, o menino passara o recesso escolar com o pai entre novembro de 2025 e fevereiro, regressando em seguida ao lar materno.

A defesa do pai alega que a genitora solicitou o retorno do filho a Ademir devido a atritos na convivência familiar em sua casa. A partir disso, Arthur fixou residência com o pai, visitando a mãe nos finais de semana. Na última visita, o combinado era voltar no domingo, mas a mãe o conduziu à escola na segunda-feira por conta de uma reunião. Após o horário escolar, o estudante tomou uma condução até o domicílio paterno.

Circuitos de monitoramento obtidos pela polícia registraram o momento em que o jovem entrou na residência por volta das 18h20. No local encontravam-se o pai, a madrasta, um irmão de 4 anos e, logo depois, chegou a filha da madrasta, de 9 anos.

Relatos de ameaça do padrasto

O advogado relatou que Arthur confidenciou ao pai que o padrasto ameaçara romper com a mãe se o menino retornasse a morar com ela. O pai acalmou o filho, pedindo que desconsiderasse o comentário.

Momentos depois, quando o pai saiu para buscar a enteada na aula particular, a madrasta revistou a bolsa escolar e achou uma fatia de bolo de chocolate. A advogada aponta que o doce gerou estranhamento por estar sem embalagem protetora, no meio de vestimentas. A mulher ligou para o companheiro relatando o achado.

De acordo com o depoimento da defesa, o garoto consumiu o bolo e afirmou que a mãe o havia reservado, pois ele estivera indisposto no final de semana e não aproveitara a festa. O pai afirmou não ter presenciado o alimento. Naquela noite, todos os moradores dividiram um jantar de massa com carne moída.

Perto das 23h, a criança manifestou os primeiros sinais de mal-estar. O relato paterno indica que o filho apresentou vômitos, desinteria e episódios de delírio. Arthur recebeu os primeiros socorros e foi transferido para o hospital de alta complexidade, onde acabou falecendo.

 

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