Projeto de megaparque de 400 mil m² no antigo Aeroclube de Nova Iguaçu vira trunfo eleitoral na Baixada Fluminense

Disputa

Antigo Aeroclube de Nova Iguaçu pode se transformar em um parque de 400 mil m² em área reivindicada por moradores da Baixada Fluminense. Promessa antiga da região, proposta de área de lazer ganha força entre pré-candidatos e promete acirrar a disputa pelo voto do eleitorado iguaçuano nas urnas deste ano

A implantação de uma área verde de 400 mil m² onde funcionava o Aeroclube de Nova Iguaçu desponta como uma das pautas de maior apelo político na Baixada Fluminense para o próximo pleito. Desejada há muito tempo pela população local, a iniciativa tende a integrar as promessas de candidatos em busca de consolidar apoio em Nova Iguaçu e cidades adjacentes.

No último domingo (14), o pré-candidato ao Palácio Guanabara pelo PSD e ex-prefeito carioca, Eduardo Paes, esteve no espaço desativado para capitanear a proposta de um “superparque”. O terreno está situado em uma região central do município e possui dimensões que alcançam os 400 mil m².

Intervenção urbana

Batizada popularmente de Aeroparque, a intervenção urbana jamais chegou a ser executada. Contudo, o plano já engajou a comunidade local, desportistas e usuários do terreno, gerando uma mobilização com 2.800 assinaturas e resgatando um plano do Executivo Estadual de 2021 que acabou paralisado.

Esse mesmo planejamento fluminense foi apresentado a Eduardo Paes por intermédio do vereador do Rio, Pedro Duarte (PSD), que colabora na formulação de propostas voltadas para o desenvolvimento metropolitano. Embora exerça mandato na capital, Duarte tem origens na Baixada Fluminense e testemunha essa reivindicação histórica.

O parlamentar salientou que a abertura do parque traria transformações profundas para o cotidiano dos moradores. “Convivo com essa cobrança de familiares e conhecidos há bastante tempo e compreendo perfeitamente o valor dessa obra para o povo. Aquela antiga proposta do estado é excelente porque daria uma nova vida ao local, ofertando lazer nos moldes de espaços lineares bem-sucedidos no Rio, como o Parque de Madureira e o Aterro do Flamengo”.

A inclusão da pauta na agenda de Paes sinaliza que a infraestrutura estará presente em suas diretrizes de campanha. Todavia, o tema central deve ser compartilhado e defendido por concorrentes que também visam o eleitorado daquela região.

A comitiva que recepcionou o político era integrada por moradores e atletas que mantêm a rotina de exercícios no antigo aeroclube, mesmo diante das condições precárias do local.

Espaço foi inaugurado na década de 1940

O Aeroclube de Nova Iguaçu iniciou suas atividades em 1942, em meio ao cenário da Segunda Guerra Mundial, tornando-se um polo de aviação leve e instrução de pilotos. O plano original previa a construção de um aeroporto comercial, mas as operações ficaram restritas ao aeroclube.

Nas últimas duas décadas, contudo, o complexo entrou em processo de deterioração. A propriedade, pertencente à União, passou a ceder espaço para diferentes órgãos, incluindo um polo da Universidade Rural, o CT do Nova Iguaçu Futebol Clube, um batalhão e outras instalações públicos.

Durante a crise sanitária de 2020, o governo fluminense aproveitou o terreno para erguer o Hospital Modular de Nova Iguaçu, unidade que atualmente responde pelo nome de Hospital Estadual Dr. Ricardo Cruz.

Destino incerto

O destino definitivo do loteamento continua incerto. Enquanto a população frequenta a área para caminhadas e treinos diários, há o constante perigo gerado por pousos e decolagens não autorizados na pista de rolamento.

Existem relatos recorrentes sobre descarregamentos suspeitos e episódios de acidentes no local. Recentemente, um ultraleve desgovernado atingiu uma pedestre que utilizava o espaço para caminhar.

O impasse poderia ter sido solucionado ainda em 2021, época em que a Secretaria Estadual de Obras propôs o projeto do Parque da Baixada em toda a extensão restante da pista. Uma planta inicial chegou a ser desenhada, mas a troca de comando na pasta fez com que a proposta voltasse para a gaveta.

A partir daí, a vegetação nativa avançou sobre os limites da pista de pouso desativada, restando aos moradores seguir ocupando o local de maneira precária e improvisada.