MPRJ denuncia infiltração doa facção Terceiro Comando Puro no Legislativo

Placa de projeto social (foto abaixo) com os nomes dos parlamentares Val Ceasa (foto), Ulisses Marins e Dani Cunha foi encontrada em resort de Peixão/Reprodução
As equipes conseguiram reter um montante de R$ 341 mil em dinheiro vivo, cinco armas, farta munição de calibres variados, 11 celulares, computadores e mídias eletrônicas de armazenamento. Investigações ligam deputado Val Ceasa e ex-vereador Ulisses Marins a rede de proteção e disfarce de bens da facção criminosa. Relatório judicial detalha que o TCP conquistou espaço na estrutura do poder público estadual
Por ordem do procurador-geral de Justiça fluminense, Antonio José Campos Moreira, o Ministério Público (MPRJ) desencadeou, nesta quinta-feira (18/06), 14 mandados de busca e apreensão. A ação mira três agentes públicos sob a suspeita de manterem uma estreita rede de colaboração com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Os alvos principais da investida foram o deputado estadual Val Ceasa, o ex-parlamentar municipal Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor de gabinete Michael Johnny Vianna de Azevedo.
As equipes conseguiram reter um montante de R$ 341 mil em dinheiro vivo, cinco armas, farta munição de calibres variados, 11 celulares, computadores e mídias eletrônicas de armazenamento.
Na mesma ação, Michael Johnny de Azevedo e sua acompanhante, Suelen Silva dos Reis, acabaram detidos em flagrante por portarem armamento restrito sem autorização. Os materiais recolhidos seguiram para a Cidade da Polícia, onde passarão por perícias criminais detalhadas na nova etapa do processo.
Relatório detalhado
O MPRJ detalhou em relatório judicial que o Terceiro Comando Puro (TCP) conquistou espaço na estrutura do poder público estadual. A promotoria aponta que o movimento repete o modelo visto em investigações anteriores na Alerj, que envolveram os ex-deputados Rodrigo Bacellar e TH Joias, quando se descobriu a interferência do Comando Vermelho (CV) na Assembleia.
O foco atual é rastrear o tamanho da conexão dos políticos com a cúpula dos traficantes. As evidências sugerem que os investigados vazaram dados sobre ações secretas voltadas para derrubar prédios da facção em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, Zona Norte.
Os suspeitos alegaram formalmente que os prédios serviam para sediar projetos voltados a ações sociais. O MP contesta a justificativa, afirmando que o pretexto falso impediu e atrasou o avanço da intervenção policial planejada.
As ordens de busca partiram do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio e foram executadas no Palácio Tiradentes (Alerj), na Ceasa e em residências no Rio e no Espírito Santo.
O Ministério Público sustenta que os ocupantes de cargos públicos agiram diretamente para dar guarida aos interesses comerciais e logísticos do TCP. A principal linha apura o vazamento de dados de inteligência para evitar que imóveis estratégicos do tráfico fossem demolidos pelas forças estaduais.
Interferência em operação policial
Os investigadores afirmam que Val Ceasa e Ulisses Marins foram pessoalmente ao 16º BPM (Olaria), no fim de 2023, interrogar a chefia militar sobre as iminentes incursões em Parada de Lucas.
O alvo da polícia eram construções luxuosas e de alto padrão mantidas pela cúpula do TCP para a realização de grandes festas, lazer e reuniões de lideranças. Os espaços contavam com estruturas de lago artificial, piscinas e academias próprias.
Imediatamente após a visita dos políticos aos quartéis, os agentes notaram modificações urgentes nos imóveis, com retirada de pertences, obras de fachada e a colocação de faixas que anunciavam projetos assistenciais.
Para os promotores, a maquiagem nos locais buscou ocultar o uso criminoso das propriedades. O MPRJ confirmou que não existem registros formais destas supostas ONGs na prefeitura, provando que os projetos eram completamente falsos.
Investigação cita base eleitoral em áreas sob domínio do TCP
O procedimento criminal reúne depoimentos e dados geográficos demonstrando o controle territorial exercido pela facção nas regiões que servem de curral eleitoral para os envolvidos.
Os relatórios apontam que uma parcela massiva e decisiva dos votos obtidos por Val Ceasa e Ulisses Marins tem origem em favelas controladas de forma violenta pelo TCP.
A denúncia lista ainda conexões estreitas de funcionários dos gabinetes com a facção, apontando assessores nomeados que possuem extensas fichas de antecedentes criminais ou parentesco direto com traficantes presos.
Em manifestação contundente, o Ministério Público classificou o cenário como uma verdadeira “miríade de relacionamentos espúrios” mantidos entre o deputado estadual e os chefes do narcotráfico.
