MP do Rio deflagra ação contra desvios de verbas em autarquia estadual que somam R$ 86 milhões
Investigação aponta fraudes contratuais milionárias e saques em espécie operados por uma ex-fiscal do Instituto Rio Metrópole (IRM), apelidada de “Mulher da Mala”, que contava com segurança privada para realizar as transações bancárias

Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do Instituto Rio Metrópole, após ser preso/Reprodução/Agência O Globo

Caroline Soares Barros, a ‘Mulher da Mala, é escoltada por um policial/Reprodução/Agência O Globo

Delegado Franquis Dias Nepomuceno após ser preso pela PF/Reprodução/Agência O Globo
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou nesta quinta-feira (9) a Operação Ouroboros, visando desarticular uma rede de corrupção instalada no Instituto Rio Metrópole (IRM), entidade vinculada à administração estadual.
Conforme apontam as apurações, iniciadas após uma auditoria solicitada pelo governo de Ricardo Couto, a instituição firmou acordos irregulares que somam R$ 86 milhões. Frações desse montante eram retiradas em espécie por uma ex-fiscal da autarquia, apelidada de “Mulher da Mala”, que contava com segurança privada para realizar as transações bancárias.
Seis pessoas foram presas pelas autoridades, incluindo Davi Perini Vermelho, o Didê, atual gestor do IRM, Caroline Soares Barros, a mencionada operadora dos saques, e Mauricio Silva Knoploch dos Santos, progenitor do parlamentar estadual Alexandre Knoploch (PL).
Atribuições do IRM
Instituído no ano de 2018, o Instituto Rio Metrópole tem como objetivo coordenar e acompanhar as diretrizes de crescimento urbano integrado da Grande Rio. A entidade está hierarquicamente subordinada à Secretaria de Estado de Governo.
Além das seis ordens de prisão, os agentes ministeriais buscaram recolher provas em nove endereços distintos. A denúncia oferecida pelo Gaesf/MPRJ responsabiliza formalmente 11 envolvidos pelos crimes de associação criminosa, suborno, fraudes licitatórias e ocultação de bens.
Investigados presos na operação
Amanda Íthala Santos da Paschoa, detida: nora de Maurício Knoploch e responsável por gerenciar os acordos do IRM após o desligamento de Caroline; Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”, detida: antiga fiscal da entidade e idealizadora do Instituto Bio, firma subcontratada pela instituição; Davi Perini Vermelho, o Didê, detido: dirigente máximo do Instituto Rio Metrópole; Franquis Dias Nepomuceno, detido: autoridade policial e diretor do órgão, apontado como proprietário oculto da firma de segurança Rioforte; Marcelo Lopes da Silva, detido: membro da procuradoria estadual e antigo assessor jurídico chefe do IRM; Mauricio Silva Knoploch dos Santos, detido: pai do deputado Alexandre Knoploch (PL) e chefe do setor de Planejamento e Projetos da autarquia.
Funcionamento do modelo ilícito
Segundo o Ministério Público, por meio de concorrências públicas forjadas e direcionadas desde 2022, o IRM terceirizou serviços com as empresas Engeconsult e R Peotta.
Posteriormente, essas duas prestadoras firmavam parcerias simuladas com o Instituto Bio para repassar os recursos obtidos junto ao poder público.
Os valores eram então retirados fisicamente da conta bancária do Instituto Bio, contando com o suporte de vigilantes da Rioforte.
O mecanismo também se alimentava de termos aditivos contratuais. Apenas no decorrer de 2023, a Engeconsult obteve um incremento de R$ 58 milhões em seus repasses.
Identificada pelos promotores pelo codinome ligado às malas de dinheiro, Caroline Barros foi interceptada no início do ano por policiais civis enquanto tentava retirar R$ 500 mil em dinheiro vivo em Teresópolis, amparada por seguranças. Ela efetuou mais de uma dezena de saques que totalizam cerca de R$ 3 milhões.