Cidades com menos eleitores expandem mais o gasto com folha de pagamento
Dados foram levantados em sistema do Tesouro e cruzados com estatísticas do TSE
Municípios com menos eleitores tiveram gastos acima da média brasileira com pessoal e encargos sociais em 2023 na comparação com 2022. Os números refletem um padrão de dependência das prefeituras pelas cidades pequenas, empregadoras relevantes nesses locais. Para especialistas, reajustes e contratações podem ser usados para conseguir votos.
Segundo levantamento do site Agenda do Poder, a expansão mais expressiva se deu nas cidades com até 10.000 aptos a votar, onde as despesas aumentaram em 9,5%. Esse grupo destinou R$ 55,2 bilhões para o funcionalismo em 2023 ante R$ 50,4 bilhões em 2022. Os valores foram declarados pela administração pública ao Tesouro Nacional e corrigidos pela inflação.
As outras faixas com expansão expressiva foram: de 10.001 a 50.000 eleitores (+8,8%) – passou de R$ 129,7 bilhões para R$ 141,1 bilhões; de 50.001 até 100 mil eleitores (+9,0%) – de R$ 58,3 bilhões até R$ 63,5 bilhões. Os gastos com pessoal e encargos sociais do executivo municipal somaram R$ 500,0 bilhões em 2023. Houve uma expansão de 8%. As cidades com mais eleitores tiveram aumento das despesas com funcionalismo abaixo desse patamar: de 100 mil até 200 mil (+7,9%); mais de 200 mil (+6,75).
As cidades com mais de 200 mil eleitores são aquelas habilitadas para a realização de 2º turno em outubro. São 103 municípios –que incluem as capitais dos Estados. O grupo é conhecido como G103.
Márcio Coimbra, cientista político e presidente do Instituto Monitor da Democracia, observa o potencial de influência na disputa eleitoral. “Na cidade menor, a dependência da prefeitura é cada vez maior. Especialmente nos lugares mais pobres, o poder político se confunde com o poder econômico”, declarou Márcio ao Poder360. NAS CAPITAIS Só Natal (RN) e Campo Grande (MS) reduziram despesas com pessoal em 2023 na comparação anual. As variações foram de 0,3% e 4,1%, nessa ordem. Macapá (AP) foi a capital que mais aumentou os gastos, em 112,9%. Florianópolis (SC) e Rio Branco (AC) vêm em seguida. Todas as 3 cidades têm menos de 500 mil eleitores.
Só 11,9% das prefeituras brasileiras cortaram gastos com funcionalismo. Totalizam 653 municípios. Das 103 maiores cidades, 9 tiveram redução.