Ex-chefe de gabinete do então vereador Carlos Bolsonaro e outros seis viram réu por ‘rachadinha’ na Câmara do Rio
Grupo responderá pelos crimes de peculato (desvio de verba pública) e organização criminosa
A 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa da Justiça do Rio de Janeiro tornou réus o ex-chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes e outros seis ex-assessores ligados ao gabinete de Carlos Bolsonaro (PL) na Câmara Municipal.
O grupo responderá pelos crimes de peculato (desvio de verba pública) e organização criminosa. A decisão do juiz Marcello Rubioli, baseada em investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e divulgada pelo portal g1, apontou a existência de elementos sólidos para a abertura da ação penal, confirmando a justa causa do processo.
Segundo a acusação do Ministério Público, Jorge Luiz Fernandes, apontado como líder e mentor do esquema, utilizava de sua proximidade com a família Bolsonaro e de seu cargo de chefia, ocupado a partir de 2018, para articular a nomeação dos demais envolvidos.
O mecanismo consistia no repasse de parte dos vencimentos dos servidores, que realizavam saques e transferências bancárias em benefício direto do então chefe de gabinete após o recebimento de seus salários.
Mais de R$ 1,9 milhão
A Promotoria calcula que o esquema movimentou cerca de R$ 1,9 milhão entre junho de 2005 e dezembro de 2021. Entre os novos réus, os maiores volumes financeiros envolvem Regina Célia, esposa de Jorge Luiz, que teria transferido mais de R$ 800 mil ao marido, e Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, com movimentações estimadas em R$ 650 mil.
Com a abertura da ação, os sete acusados têm o prazo de 10 dias para apresentar suas defesas por escrito antes que o magistrado agende as audiências com as testemunhas.
Embora o ex-vereador Carlos Bolsonaro não faça parte desta lista de denunciados, a situação jurídica dele permanece em aberto. O MP havia pedido o arquivamento das investigações contra o parlamentar em setembro de 2024, sob a justificativa de falta de provas de repasses diretos.
Contudo, após divergências do Judiciário no início de 2025, a Procuradoria-Geral de Justiça reabriu o caso em março deste ano para apurar a suspeita de “rachadinha”, investigação que segue em andamento nos bastidores do Judiciário fluminense.