Governo do RJ mira Banco Master para recuperar R$ 3 bilhões do Rioprevidência
A investigação apura um conjunto de transações financeiras bilhões realizadas pelo Rioprevidência com o Banco Master. Governador interino Ricardo Couto afirmou que o Estado vai buscar meios para recuperar valores aplicados pela entidade durante a gestão de Cláudio Castro
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que o Estado vai buscar meios para recuperar o dinheiro aplicado pelo Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master. A declaração foi dada na última quarta-feira (27), em entrevista ao programa da jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, e ocorreu um dia depois da 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (26).
A investigação apura um conjunto de transações financeiras de cerca de R$ 3 bilhões realizadas pelo Rioprevidência com o Banco Master durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), que foi alvo de busca e apreensão na operação.
Couto, que também preside o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), disse que o governo pretende acionar todos os caminhos possíveis para tentar recompor os cofres do fundo previdenciário dos servidores estaduais. “Nós temos que olhar para todos os meios que o Estado pode ter de recuperar o que ele perdeu investindo no Master. Em um primeiro momento é ir ao próprio Master e tentar buscar o que foi investido ali e se perdeu”.
Estratégia
Segundo o governador, a estratégia também pode alcançar investidores e pessoas ou empresas que tenham tomado empréstimos junto ao banco. “Depois, nós podemos ir àqueles que são investidores do Master.
A procuradoria do Estado procurou ir naqueles que tomaram empréstimos e estão devolvendo esse empréstimo ao Master. Como? Bloqueando o valor da devolução para que o Estado possa, com esse valor que seria devolvido ao Master, se recapitalizar ou buscar o dinheiro que foi investido. Eu tenho muita fé que o Estado venha recuperar esses valores”.
Operação Compliance Zero
As investigações sobre o Banco Master fazem parte da Operação Compliance Zero, aberta inicialmente na 10ª Vara Federal de Brasília, em novembro de 2025. O caso depois passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.
A primeira fase da operação prendeu executivos ligados à instituição. Desde então, a investigação avançou sobre suspeitas de operações sem lastro, uso de fundos fraudulentos, pagamento de propina, vazamento de informações sigilosas e movimentações envolvendo agentes públicos e políticos.
Na 8ª fase, a Polícia Federal chegou ao núcleo fluminense do caso. O foco passou a ser a relação entre o Rioprevidência, o Banco Master e decisões tomadas durante a gestão de Cláudio Castro.
Segundo a PF, o volume movimentado nas operações investigadas chega a R$ 3 bilhões. A partir de agora, além da esfera criminal, o governo do Rio de Janeiro tenta abrir uma frente para recuperar parte dos valores aplicados pelo fundo previdenciário.