Guerra de facções leva terror a Rio das Pedras com tiroteios e uso de drones

Barricada

Ônibus foi atravessado na pista em Rio das Pedras na última quinta (18)

 

Moradores de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, enfrentaram mais uma madrugada de pânico nesta sexta-feira (19) devido aos intensos confrontos armados entre traficantes do Comando Vermelho e milicianos.

A disputa territorial, que já dura três dias e conta com relatos de tiros, explosões e ataques com drones carregados de granadas, provocou forte impacto na rotina local: sete unidades de saúde alteraram o funcionamento, o comércio fechou as portas e pelo menos 12 linhas de ônibus mudaram de itinerário após criminosos sequestrarem um coletivo para usar como barricada. A escalada da violência coincide com as investigações da Polícia Civil sobre dois cemitérios clandestinos recentemente descobertos na comunidade.

Onda de violência

A onda de violência é reflexo da tentativa de traficantes do Comando Vermelho (CV) de invadir e tomar o controle das áreas dominadas pela milícia local. Diante do cenário de guerra, o 18º BPM (Jacarepaguá) reforçou o policiamento na região para tentar estabilizar o perímetro, mas o clima de insegurança fez com que comerciantes fechassem as portas mais cedo e moradores evitassem sair de casa.

Os impactos no transporte foram severos. Criminosos interceptaram um ônibus da linha 343, retiraram as chaves e o atravessaram na Rua Engenheiro Souza Filho, uma das principais vias de Rio das Pedras. O veículo e várias caçambas de lixo foram transformados em barricadas. Segundo o sindicato Rio Ônibus, a ação criminosa forçou a alteração de rota de doze linhas municipais para garantir a segurança dos passageiros.

Cemitérios clandestinos

Paralelamente, o atendimento público de saúde foi severamente prejudicado, com cinco postos suspendendo as atividades e outros dois operando apenas internamente. Toda essa tensão se desenvolve enquanto a Polícia Civil investiga a descoberta de dois cemitérios clandestinos em áreas de mata na comunidade. Até o momento, peritos recolheram os restos mortais de quatro pessoas em um poço de 20 metros de profundidade, e o trabalho de identificação das vítimas continua.