PM acha bonecos com armas de madeira em operação no Tanque, na Zona Oeste do Rio

Polícia diz que bonecos são uma tática dos bandidos para confundir os agentes durante as ações policiais/Reprodução
Os blindados e as equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram dar aquele baque na comunidade da Caixa D’Água, no Tanque, na manhã desta quarta-feira (27), e deram de cara com uma cena de cinema, só que de quinta categoria. Na missão para passar o rodo nas barricadas e sufocar a boca de fumo, os policiais flagraram vários bonecos plantados em pontos estratégicos, vestindo roupas e segurando simulações de fuzis.
Segundo o comando da unidade, a tática manjada dos vagabundos era tentar “meter o caô” para cima dos agentes, fazendo a farda gastar munição à toa e provocando tiroteio às cegas no meio do lixo.
A operação já começou no pique de arrancar os trilhos e os entulhos que os caras colocam para fechar os acessos da comunidade. Só que, além do ferro e do concreto das barricadas, os traficantes inovaram na malandragem e montaram um verdadeiro “exército de espantalhos” para tentar segurar o avanço do batalhão. Os bonecos foram colocados em posições de combate, imitando direitinho o posicionamento dos “fogueteiros” e dos “soldados” da facção.
A chefia da PM explicou o perigo da parada: o bagulho é pensado no detalhe para confundir a mente do policial na hora do cansaço e do estresse. O plano dos criminosos era fazer os policiais pensarem que era o “bonde” de verdade, abrindo fogo contra o nada enquanto os verdadeiros bandidos ganhavam tempo para vazar ou armar uma emboscada de verdade.
Produção de quinta e destruição no cortiço
Para tentar dar veracidade ao golpe, os caras capricharam no figurino dos manequins de estopa. Tinha boneco de máscara de caveira, outros de peruca, boné de marca, óculos escuros e até tênis nos pés. Para simular as armas longas, os caras usaram o que tinham à mão: pedaços de caibro de madeira envolvidos em panos pretos para parecerem fuzis.
Mas a farsa não durou muito. Assim que os agentes perceberam que os “fuzileiros” não piscavam e nem saíam do lugar, foram lá e desfizeram o circo. Todos os bonecos cenográficos foram picotados e jogados no lixo pelos policiais. Dessa vez, o caô do tráfico não colou e o exército de madeira foi direto para a vala.