Prefeito e Câmara de Queimados têm uma relação pra lá de suspeita

Empréstimo - Queimados-3

Reprodução da mensagem legislativa que autoriza o empréstimo pelo Poder Executivo

 

Legislativo autorizou governo a contrair empréstimo de R$ 100 milhões, mesmo
sem apresentação de detalhamento dos custos

Não é só para a farra dos cargos comissionados promovida pela Prefeitura de
Queimados que a Câmara de Vereadores faz vista grossa. Uma proposta que pode
colocar o município da Baixada Fluminense no fundo do poço do endividamento foi
aprovada pelo Legislativo sem pestanejar, no início deste mês. E tudo às vésperas
de 2024, quando serão realizadas as eleições municipais.

Os vereadores autorizaram o prefeito Glauco Kaizer (SDD) a contratar empréstimo
de R$ 100 milhões com a Caixa Econômica Federal. A justificativa do texto da
mensagem enviada à Casa, afirma que o montante de recursos serão aplicados “na
execução de projeto para pavimentação de vias, calçadas, sinalização, implantação
de redes de esgotamento sanitário, de abastecimento de água potável, de redes de
drenagem de águas pluviais e urbanização de caráter complementar nos bairros
Três Fontes (parte) e Eldorado IV (parte)”.

Segundo reportagem do jornal Extra, a proposta do Executivo foi aprovada pela
maioria; a exceção foram os vereadores Eliezer Chagas (SDD) e Cintia Batista
(Avante), que votaram contra. O curioso é que o pedido passou pela Casa mesmo
sem a apresentação de qualquer detalhamento dos custos das obras a serem
implementadas.

Valor da dívida pode inflar
Ainda segundo a reportagem, o prazo da operação bancária é de quatro anos, com
o pagamento em até 240 meses. A taxa de juros está fixada na casa dos 136% ao
ano, podendo multiplicar em muitas vezes o custo do empréstimo.

Com isso, o governo pode não ter condições de honrar as parcelas e protelar o
pagamento para outras administrações, ganhando o selo de ‘caloteiro’.

Vale lembrar que a prefeitura recebeu uma fatia de quase R$ 100 milhões da
concessão da Cedae pelo governo do estado. O site de transparência do município
mostra que só R$ 43,8 milhões foram gastos até agora, grande parte com a folha
da Previdência.

Aliado à frente
Mais estranho ainda foi a decisão do presidente da Câmara, Elerson Alves votar
‘sim’ pela autorizou do empréstimo. Em 2019, na gestão de Carlos Vilela, a quem
fazia oposição, a postura do parlamentar foi outra: isolado, foi o único que manteve
o voto contrário à contração de uma dívida de R$ 5 milhões pela prefeitura.