STF nega liberdade a deputado estadual suspeito de chefiar desvios na Educação

Rangel

Thiago Rangel está preso desde maio por liderar um esquema de fraudes e superfaturamento em obras escolares. Segundo a Polícia Federal, o parlamentar do Avante foi preso sob suspeita de chefiar um esquema de desvios de recursos na pasta estadual

A Primeira Turma do STF manteve a prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso desde maio por liderar um esquema de fraudes e superfaturamento em obras escolares que movimentou mais de R$ 1 bilhão. O relator, ministro Alexandre de Moraes, foi seguido por unanimidade após a Polícia Federal (PF) apresentar provas de que o parlamentar tentou obstruir as investigações.

O esquema consistia no direcionamento de licitações de reformas para empresas ligadas ao grupo político do deputado. Após o escândalo vir à tona no início do ano e derrubar a antiga cúpula da Secretaria de Educação, Rangel passou a intimidar a nova secretária, Luciana Calaça, por causa da demissão de seus aliados em diretorias regionais. Na véspera de ser preso, ele enviou mensagens afirmando que as exonerações eram uma “falta de respeito” e que o caso “não ficaria assim”.

A PF também interceptou áudios em que o deputado controlava rigidamente as indicações e afirmava: “A indicação é minha e quem manda sou eu”.

Atentados contra opositores

Os diálogos obtidos revelaram ainda métodos violentos do grupo contra adversários. Em 2021, ao ser criticado na internet, Rangel pediu o endereço do autor para mandar uma “surpresa”, completando que “depois de 12 tiros no portão, o recado está dado”.

Em outra gravação, o parlamentar e seu assessor principal planejaram uma emboscada com agressão física e tiros contra o carro de um desafeto político para forçá-lo a recuar.

O que diz a defesa

Os advogados de Thiago Rangel alegam que as mensagens foram tiradas de contexto e interpretadas de forma forçada.

Segundo a nota, a conversa com a secretária teve caráter exclusivamente político e representou apenas um desabafo. A defesa reafirma a inocência do deputado.

Já o deputado Jair Bittencourt, citado por Rangel nas mensagens, negou qualquer envolvimento com o caso ou indicação de cargos nas diretorias regionais.