Troca de mantos de N. Sra. da Glória abre festividades da Padroeira no Rio

Santa

Aias de Nossa Senhora, grupo de senhoras da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, que preserva a tradição, que atravessa gerações desde o período imperial

Poucas tradições religiosas do Rio de Janeiro conseguem reunir tanta história, delicadeza e simbolismo quanto a anual troca das vestes da imagem de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Realizada na última quarta-feira (5), a cerimônia marcou oficialmente o início das festividades da Padroeira, promovidas pela Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, instituição cuja história se confunde com a própria formação religiosa e monárquica do Brasil.

Após horas de trabalho reservado, a imagem da Virgem voltou a ser apresentada aos fiéis completamente revestida com novas vestes em tons de branco e azul-claro, ricamente adornadas por rendas, bordados e delicados ornamentos. O Menino Jesus também recebeu novas roupas, enquanto as tradicionais coroas imperiais e o cetro da Padroeira completaram o conjunto que será venerado durante toda a festa.

Mais do que uma troca de roupas, trata-se de um rito que une devoção, patrimônio artístico e memória histórica, preservado por gerações de mulheres que exercem uma das funções mais tradicionais da Irmandade: as Aias de Nossa Senhora.

Marco da cerimônia

Embora o ano de 1867 seja frequentemente citado como marco da cerimônia, a história é ainda mais antiga.
O

s compromissos da própria Irmandade, aprovados em 1835, já determinavam a existência de uma Juíza e de doze Aias de Nossa Senhora, responsáveis por zelar pela imagem, cuidar de suas roupas, ornamentos e altar, além de vestir a Padroeira durante as solenidades.

O ano de 1867 tornou-se emblemático porque a Mesa Administrativa decidiu mandar confeccionar um novo corpo para a imagem de roca que chegou aos nossos dias. A iniciativa partiu da Viscondessa de Mauá, uma das Aias da Irmandade, e foi financiada por uma expressiva doação do benfeitor Antônio Paulo Nunes Sobrinho.

Assim, a tradição da vestição é anterior a essa data, mas foi naquele momento que ganhou a configuração histórica preservada até hoje.

A cerimônia permanece exclusiva das Aias de Nossa Senhora, grupo de senhoras da Imperial Irmandade encarregado de cuidar diretamente da histórica imagem.