Vítimas do tiroteio na Linha Amarela são enterradas no Rio e Baixada Fluminense

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A mãe de Deborah Vilas Boas é consolada durante o velório/Reginaldo Pimenta/Agência O DIA

As duas vítimas do tiroteio entre policiais militares e bandidos durante uma tentativa de assalto na manhã da última terça-feira (18), na Saída 7 da Linha Amarela, em Higienópolis, Zona Norte do Rio, foram sepultadas nesta quarta (19).

Deborah Vilas Boas da Silva, de 27 anos, que foi atingida na testa; José Carlos da Silva Miranda, 64, estava no último banco de um ônibus da linha 315 (Recreio-Central), a caminho do trabalho, quando uma bala atravessou a janela traseira e atingiu sua cabeça. Os dois morrreram no local.
A despedida de Deborah foi marcada por tristeza e revolta no Cemitério Vertical Memorial do Rio, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Já a família de José deu o último adeus no Cemitério de Magé, na Baixada Fluminense.

Wallace Souza, viúvo da jovem, ficou ao lado do caixão durante todo o velório. Ele lamentou a perda da esposa, com quem teve uma filha de 7 meses. “Ela era meu porto seguro, a pessoa que me sustentava, que cuidava de mim, que era meu apoio. Vai ser muito difícil seguir sozinho… Não dá pra aceitar isso”, disse.

Medo da violência

De acordo com a família, José tinha medo da violência no Rio, mas encarava mesmo assim e saía de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, todos os dias para trabalhar na Barra da Tijuca. Ele já era funcionário do local há 6 anos e nunca tinha faltado.

O confronto começou por volta das 5h, quando quatro bandidos, em um Honda HR-V, tentaram roubar uma moto na saída 6 da Linha Amarela. Um policial, que estava no local, percebeu a ação e tentou impedi-la.

Bebê chora ao sentir falta da mãe  

Em entrevista ao jornal O DIA, um tio do marido da vítima revelou que a jovem tinha voltado da licença-maternidade há cerca de duas semanas, e que sua filha, de apenas sete meses, já chora ao sentir falta da mãe.

“Ela era uma mãe daquelas que vivia 24 horas com a filha, fazendo aniversário todo mês. Ela era alegria em pessoa, estava sempre sorrindo e tiraram essa alegria da gente. Ela tinha acabado de se formar, na empresa ela tinha uma carreira, já estava 10 anos lá, profissional muito dedicada e tudo isso foi embora. Ela não estava mais amamentando, mas a bebêzinha, apesar de ter apenas sete meses, já chora e olha como se tivesse procurando a mãe que estava sempre presente, porque tempo todo elas estavam juntas, e isso tudo foi por água abaixo”, lamentou Waldir Guimãres.

Em relação ao marido da vítima, Wallace Souza, o tio comentou que o rapaz está arrasado e sem planos de futuro. “Você imagina um jovem que trabalha, estuda, acaba de se formar, se casa, tem uma filha, acaba de construir uma casa para começar a construir uma vida e de repente acaba tudo? Ele não tem mais nada, tem agora uma filha de 7 meses pra criar, mas não tem mais a mulher, aquele sonho deles de vida perdeu o sentido”, disse.

Além da dor, Waldir relata que o caso também gerou revolta. “Diante dessa tragédia nós não encontramos nenhum representante aqui de nenhuma autoridade, porque já virou uma coisa comum. Vidas que vão embora, cidadão comum morrer no meio da rua, vítima de bala perdida, tudo isso já virou uma coisa comum, como eles chamam: estatística. O ser humano virou estatística. Agora a dor é daqui, mas também está nas outras famílias”, explica.

O tio também criticou a falta de preparo dos policiais militares envolvidos na ocorrência. “Você tinha um ponto de ônibus cheio de pessoas, aí ocorreu um assalto, infelizmente comum na cidade, mas se o profissional de segurança tivesse preparado e pensado em não agir porque tinha muita gente no ponto e depois seguir os ‘delinquentes’ e procurar um lugar seguro para abordar isso não teria acontecido”, disse.

Por fim, Waldir reforça que o combate a violência deve ser repensado. “Tem que utilizar mais inteligência, porque se não só está resultando mais em vítimas de violência”.

Ainda no velório, uma amiga disse que Deborah era considerada o xodó da empresa em que trabalhava, uma clínica na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Ela estava a caminho do trabalho quando foi baleada.